quinta-feira, 11 de março de 2010

Vento contrário

Foram publicadas as notas da prova de aferição.
Melhorzinhas do que o costume.
Sem grandes surpresas no que me diz respeito.
Começo a receber reacções de formandos, a valorizar as sessões que os ajudaram na prova, a reconhecer o trabalho feito (deles e nosso).
Houve uma afirmação que me chamou particularmente a atenção numa das mensagens que recebi: "Desmultiplicaram-se em esforços connosco numa altura em que nós nos apercebemos de que o vento não vos está de feição."
Isto merece-me dois comentários:
1 - Um formador esforça-se porque é esse o seu papel e a sua obrigação. Só os medíocres têm receio de ensinar o que sabem, com medo de serem suplantados.
2 - O vento contrário é aquele que nos permite levantar voo...

domingo, 7 de março de 2010

Bitola

Ontem foi noite de Festival RTP da Canção.
Ouvi a música vencedora 2 ou 3 vezes e não me lembro de uma nota.
Não gostei da música, não gostei da interpretação, não gostei e "prontos".
A minha bitola para músicas do Festival é outra, e nela cabem músicas com mais de 30 anos: Menina (Tonicha), E Depois do Adeus (Paulo de Carvalho), Tourada (Fernando Tordo), Ele e Ela (Madalena Iglesias), Desfolhada (Simone de Oliveira)...
Sou eu que já estou ultrapassada? Admito. Mas alguém é capaz de garantir que a música que ganhou ontem será lembrada, tocada e cantada daqui a 40 anos, como sucedeu ontem com aquelas interpretadas pelo Fernando Tordo, naquele que considero o melhor momento da noite?
Ao acaso, escolhi uma música bem disposta. Outras, tantas, estão no meu ouvido.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Princípio do contraditório

Era uma vez um juiz numa comarca distante, num tempo em que havia despacho de citação.
Recebida uma petição inicial, o juiz proferiu o seguinte despacho/sentença: "Nesta fase deveria ser proferido despacho a ordenar a citação do Réu (para exercer o contraditório e apresentar a sua versão dos factos). Porém, é do meu conhecimento pessoal que o Autor é uma pessoa séria e que portanto o que alega não pode deixar de ser verdade, não sendo em consequência necessário perder tempo a ouvir o Réu. Assim, julgo a acção procedente e condeno o Réu no pedido."
Acontece ainda hoje - embora já não nos tribunais - haver quem se contente com a versão dos factos do Autor, entendendo ser desnecessário e uma perda de tempo permitir que o Réu exerça o seu direito inalienável ao contraditório.

sábado, 30 de janeiro de 2010

O que vale é que eu nem quero perceber

Desde 24 de Janeiro que se sabia (?) que o Exame Nacional de Acesso ao Estágio ia ter lugar no dia 30 de Março. Sabia-se pelos jornais que publicaram a afirmação do Bastonário da OA feita num Encontro em Cascais no dia 23/1.
No site da OA a notícia só apareceu no dia 29/1...
Não percebi o atraso na publicação no site, mas eu também já desisti de perceber o que quer que seja sobre este Exame de Acesso.
Porque se eu estivesse a tentar perceber o que quer que fosse perguntava porque é que o Exame só terá lugar em Lisboa, em local a designar. Então e os licenciados de Évora, do Minho, do Porto, de Coimbra, etc têm de vir a Lisboa fazer o exame????
E se quisesse mesmo fazer perguntas difíceis perguntava: e quem é que vai fazer os exames? E quem os vai corrigir? E quem aprecia os recursos que venham a ser interpostos das classificações?
Ah, e já agora, considerando que de acordo com o art. 9º-A do Regulamento, será constituído por uma única prova escrita, que abarcará algumas (quantas?) de entre QUINZE disciplinas (?), a prova será coisa para ter que duração?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Precisa que explique?

Nada como uma provocação para me pôr a mexer, e um comentário desta manhã lembrou-me que não escrevo há muito tempo.
E volto porque continuo sem perceber nada - como de costume: diz-me quem lá esteve que a história não é bem esta; que os advogados estagiários foram impedidos de participar e que quem saltou em defesa deles e da dignidade que merecem foi o Presidente do CDL.
A ser verdade o que me contaram, parece que "alguém" se esquece de que antes de ser "estagiário" um advogado-estagiário é "advogado". Não acreditam? Ora então leiam lá a expressão devagarinho. O que é que se lê primeiro, não é "advogado"?
Na primeira sessão de formação de cada Curso de Estágio eu costumava lembrar aos estagiários que são advogados antes de serem estagiários, e que daí decorre uma responsabilidade a que eles têm de corresponder, no cumprimento de deveres e exercício de direitos.
Desta história retiro que, se for verdade que os estagiários foram desconsiderados por serem estagiários, se foram tratados como advogados de 2ª categoria, então eu tenho a dizer a quem agiu desse modo que está muito enganado. Porque há estagiários que carregam o título com maior nobreza do que muitos advogados que se limitam a ser portadores de cédula profissional.